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terça-feira, 11 de maio de 2010

Memories of Blue




Em um lugar, além desse oceano, espero por ti...

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Na música: composição de Vangelis.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Um Amor Puro


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Na música: "Um Amor Puro", composed by Djavan.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

"Feliz" Ano Novo



Agora, penso sobre esta tão falada e idolatrada "Prosperidade" que percorre, há muito, os tortuosos trilhos dos enganos humanos...

Ela é o fruto desse mesmo progresso, de "uma única asa", que atravessa a pleno vapor os prados cinzentos, já sem vida, outrora verdejantes, dos nossos corações, arrancando-nos um fascínio doentio: sorrisos reptis e olhares vitrificados de pura alienação.


À maneira duma sereia, a abundância gerada as custas do sangue de milhões de explorados, embala com seu canto o nosso conforto comodista para, logo em seguida, arrastar-nos, impiedosa, até os pontiagudos recifes da imprevidência.

Esta prosperidade, solta e louca, nas mãos de tão poucos, movimenta o frio maquinário da cobiça, tal qual maquinista a conduzir insandecido uma locomotiva que cospe, em jorros, fumaça negra com odor de ganância. Carrega em seus vagões repletos de soja, aço, carvão, urânio, petróleo e sílica - num moto quase contínuo - o combustível do vai-e-vem famélico da insaciável quimera chamada "Consumismo".

Sepultando nossas almas nos túmulos da egolatria, sob o mármore da vaidade, a punjança dessa minoria impõe-nos regras de conduta sob o guante do materialismo ardiloso. E modela, amparada pela publicidade voraz, as mentes subjugadas pelo vazio do modismo, como se conferisse a elas a forma dum recipiente de plástico descartável ordinário, de colorido displicente.

Equipado, o comboio, em sua vanguarda, com o imenso rolo compressor da corrupção, vai esmagando em seu caminho aqueles menos favorecidos, deserdados da Justiça e do Bem Comum.

Imperfeito, ergue-se o desenvolvimento no horizonte da humanidade, como um Sol eclipsado, por intermédio de políticas levianas oriundas do contubérnio subjacente das grandes corporações . Essas mesmas políticas que, no terreno fértil da ignorância, promovem opressões de natureza ideológica e financeira, quebrando vontades e dissolvendo culturas em pedaços que se segregam e se estratificam, cada vez mais, em fragmentos diminutos, até desaparecerem, por completo, nos ódios das guerras fratricidas.

Com seu apito de bronze, de som estridente - semelhante a um grito humano de agonia -, em linhas férreas de traçado inconstante, corre vertiginoso o trem da nossa "Prosperidade". Mais célere do que a nossa Natureza pode suportar.

Acelera, então, a cada segundo, a germinação do sogo transgênico nos campos; a fermentação alcoólica dos engenhos; a partição atômica nas usinas nucleares; o erguimento dos arranha-céus nas esquinas; o parto dos bovinos nos currais; as oscilações luminosas da energia nas fibras ópticas; o tráfego das informações internáuticas, às custas dos corações ansiosos nos centros de compras... 

* * *

Ainda que nem sempre nela pense, ainda que me esqueça - quase sempre - das suas mãos onipresentes, ela sempre me olha, me procura e me deseja...

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Amores Imperfeitos

sábado, 10 de outubro de 2009

Teia de Aranha


A trama extensa era urdida em fina e delicada tecitura.

Quase invisíveis - há quem diga intangíveis -, as suas linhas ainda sustentavam incrivelmente um corpo animalesco, antes homem, cuja densidade do espírito parecia desafiar as leis da gravidade moral: onde o todo de um ser que se desarmoniza vem a baixo.

Os milhares de fios ali pendentes diziam algo sobre o largo tempo vivido, na ausência da realidade, por quem os fez, imprudente. Tão enredado estava, o autor desta sinistra obra, no resultado de suas próprias convicções infelizes que, por completo, ela se fazia extensão de seu ser.

Num misto de tormento e prazer, o tecelão imprevidente afirmava que dela não mais conseguia sair. Creditava à malha fria, tão bela e suave, uma resistência maior que a do aço mais temperado, embora lhe tenham revelado, incontáveis vezes, que a mesma poderia ser desfeita com um simples sopro de vontade...


A teia, engendrada pelos desatinos e pelos desejos desenfreados do passar dos anos, permitiu farta nutrição da vaidade e da tolice. A vida em suas fibras manteve famintas todas as ilusões mais insanas.

Movimenta-se agora, a criatura, por entre seus fios, assombrada em seus sonhos pelo vazio da existência que vai deixando dentro de si. Ela espera o momento que a inconseqüência, outra vez desperta, satisfaça seu mais recôndito instinto.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Haiku


Calor de setembro

Que a chuva alivia

Súbito trovão!



* * *


Poeira na tarde

Surgindo no caminhar

Como enxergar?


sábado, 12 de setembro de 2009

Alma, Poesia & Representação

Colocar em palavras os sentimentos altera sobremaneira a realidade vivida pelo poeta.

Alma nenhuma está circunscrita ao corpo, ou a um único corpo. Não falo aqui em reencarnação. Refiro-me à liberdade que a alma - essência de qualquer ente - pode encontrar no pensamento (ou no coração) de outrem.

Entretanto, será que a essência encontra mesmo liberdade neste mundo?

Toda essência é fugidia por natureza. Sempre clama por liberdade, ante o mínimo ato de limitação por parte do poeta.

Quem sabe se não é essa dialética, entre o aprisionamento que a razão impõe à alma e o permanente anseio desta última por fugir das amarras daqueloutra, que enseja os rasgos de criatividade?

Neste plano das formas, onde imperam os rótulos, as compactações, os embrulhos e revestimentos talvez só reste à essência das coisas o espaço limitado das representações, por maior que seja o espaço permitido pela consciência de outrem.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Who's gonna drive you home, tonight?




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Na música: "Drive" composed by Ric Ocasek (The Cars).

domingo, 23 de agosto de 2009

Desapego





Sem você aqui,

Sempre o tudo

É feito o nada...

Mas estou aprendendo a aceitar

Que a graça do verbo amar

É estar em alguém,

E não se apegar:

Onda que vem e vai

Sem querer,

O meu querer

Que agita feito brisa,

Esse azul de nosso mar...


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Na imagem: "Sun Curl", photo by Clark Little. Na música: "Gymnopedie nº1", composer by Erik Satie.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Solitários


By Gaijin Virtual

domingo, 16 de agosto de 2009

And I Love Her...

Crime Perfeito*

Minha rua também costumava ser assim, cheia de tranqüilidade.

Nela, jogávamos pelada e armávamos até rede de vôlei. Em nossos prédios, nem portões havia... Quase todos os vizinhos conheciam-se. Pouquíssimos carros pasavam por aqui. Era realmente uma rua sem significado no mapa de minha cidade, para nossa antiga felicidade.

Até que, numa madrugada, acordei com o barulho de máquinas e homens trabalhando. Estavam transformando minha paz numa via de acesso importante para um novo vizinho: o consumo. Tinham construído um supermercado a três quadras de onde moro...

Hoje, desperto ao som de buzinas impacientes e roncos vorazes de motores desregulados.

E foi desse jeito que assassinaram impiedosamente meu sossego.

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* - Comentário meu feito no blog Mel's no dia 13/07/2009.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Liberto


Tentei distanciar-me da saudade que a tua ausência trouxe a minha existência sem sentido. Não suportava amar apenas a solidão.

Contra minha vontade, degredei-me para uma ilha distante, onde reina o egoísta infeliz que todos os dias lamenta-se profundamente por ser assim...

Sentenciei meus sentimentos por ti a instantes intermináveis de amargo silêncio, porque perdem a razão quando alguém se encontra só.

De pensamento mudo, o claustro da cela ao qual me condenei fez-me quedar na vergonha por ter desejado nunca mais te ver...

Todavia, já deveria saber: um coração que ama é indomável, insofreável, impossível de ser preso eternamente nos pesados grilhões da indiferença do eu obscuro!

Fugi, então, de forma espetacular, dessa prisão úmida e escura, deixando para trás uma ilha chamada "tenho medo de te amar".


*   *   *

O Sol da Paixão cegou-me, cobrando o seu tributo, por eu ter sido tão rebelde.

Mas os deuses, por compaixão, fizeram com que voltasse a enxergar...

...pelos olhos de tua alma...

"E assim deve ser" - disseram-nos - "para que nunca mais haja solidão entre vós que amais um ao outro".

segunda-feira, 13 de julho de 2009

E o teu medo de ter medo de ter medo




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Na música: Daniel na Cova dos Leões (Renato Russo & Renato Rocha).

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Quando era um pouco mais jovem...

- Vamos civilizar o mundo! - dizia meu pai com a ironia que sempre lhe fora peculiar, enquanto ia pondo um vinil de música erudita na vitrola.

Meu dia começava assim, aos domingos...

Das nove da manhã até às três da tarde, abríamos as portas de casa para que adentrasse uma plêiade de ilustres visitantes: Vivaldi, Bach, Corelli, Schumann, Berlioz, Grieg, Villa-Lobos, Beethoven, Schubert, Mozart, Mendelsohn, Haydn, Haendel, Tchaikovsky, Strauss, Dvořák, Debussy, Liszt, Torelli, Mussorgsky e tantos outros.

Para mim, a nossa sala de estar ganhava as dimensões dum salão de festas palaciano, todavia, sem a presença vaidosa e inconveniente de "nobres" e de intelectuais que costumavam, e até hoje assim o fazem, amontoar-se onde se ouve boa música.

Quando a agulha nos discos tombava, as sinfonias, os concertos, as árias, os corais, as suítes, as valsas e os minuetos exalavam por todo ambiente sua grandeza e graciosidade. Falavam conosco, os compositores, de espírito para espírito, sobre o melhor da Natureza - o que incluia o homem, evidentemente.

Por entre allegros, largos, andantes, adágios e prestos, as obras sucediam-se cronologicamente: Barroco, Classicismo, Romantismo... dando sentido àquela aventura musical.

Cada uma dessas épocas fazia emergir a sua cota de imagens em minha tela mental, trazendo-me uma gama imensa de emoções e sentimentos indescritíveis. É próprio da música instrumental essa magnífica arte do "nada impôr, apenas sugerir"; de modo que, para cada nova audição, uma nova realidade, porquanto vamos morrendo e ressurgindo nos segundos que não cessam...

Elas, as melodias, traziam-me a união com o divino, as nuances da vida urbana, o amor impossível, o calor causticante do deserto, o sopro do vento campestre, o azul do mar e sua arrebentação, o tédio e a melancolia, o irromper do trovão, o martírio do herói, a chuva suave, os perfumes da primavera, a passagem do tempo, o frio invernal, o canto dos pássaros, a alegria dos camponeses após a colheita, a paixão pela pátria, o pôr-do-sol no outono, a solidão, a saudade, a liberdade... e muito mais! Sempre mais...

Ainda continuo percebendo situações sentimentais novas quando as ouço...

Um dos momentos inesquecíveis nesses nossos encontros era quando se fazia sentir a presença do compositor polonês, Frédéric Chopin (1810-1849).

Poderia passar o resto da noite (e a madrugada inteira) adjetivando positivamente a obra desse mestre e, mesmo assim, além de não ser suficiente, tudo isso não acarretar qualquer significado para quem lê estas linhas (o açúcar é doce, mas apenas chegamos a essa conclusão quando o experimentamos...). Melhor que falar da música é vivê-la:

A razão de postar esse vídeo foi porque, dentre outras versões que escutei até o presente instante, essa interpretação é a que mais se aproxima daquela outra que ouvi, quando era um pouco mais jovem...

*   *   *  

São atribuídas a Joseph Haydn (1732-1809), compositor do período denominado Classicismo, as seguintes palavras: "Muitas vezes - lutando contra obstáculos de toda ordem, ou sentindo minhas forças falharem e acreditando difícil perserverar no caminho escolhido - um secreto sentimento murmurava dentro de mim: 'existem poucas pessoas contentes e felizes aqui na Terra; talvez, teu trabalho possa, um dia, ser a fonte onde os fracos, abatidos e sobrecarregados encontrem alguns momentos de repouso e bem-estar'".

Passados duzentos anos da morte desse notável músico, digo-lhes que, na minha pessoa, o "talvez" dessa voz sublime, transformou-se em certeza...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Autofagia


É nele que me consumo,
Neste prato de solidão,
Minguando com a Lua,
No assobio do ibijaú,
A buscar inspiração...

Abraço esse sumiço,
Até a alvorada chegar,
 E deixo de ser gente,
Fico de um jeito diferente,
Que nem consigo me enxergar!

Então, renasço como palavra,
Nas letras de amor ou dor,
Sem saber onde estou,
E muito menos quem sou,
Nem voltando a ser quem era,
Ainda que me olhe o leitor...


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Nada Sei


No vídeo: Nada Sei (Apnéia) - Kid Abelha Acústico MTv, composição de George Israel e Paula Toller.

Manhã Chuvosa


Ontem, vi uma lágrima cristalina rolando mansa em teu rosto.

Desceu lenta, triste e graciosa e perdeu-se na palma de minha mão...

Mais uma, duas, três lágrimas... e foram todas fazer moradia num dos recantos de minh'alma, por entre teus soluços - cantos mudos de teu coração.

Gentilmente, toquei a tua rubra face, escondida por entre a maciez de teus longos cabelos, procurando, comovido, o teu olhar.

Beijei com ternura teus lindos olhos marejados, experimentando o gosto do teu ser que me molhou de amor.

Percorri com meus lábios, umedecidos pelo teu pranto, os caminhos por ele marcados. Alcancei a tua insinuante boca entreaberta, a tempo de ouvi-la sussurrar o meu nome.

Segurei tua mão, levando-a ao encontro de meu peito louco palpitante para, finalmente, trazer-te toda por inteiro, até desaparcermos, inseparáveis, no acalento de um abraço.

E aquele sabor de lágrima, da tua alma, nunca mais saiu de mim...


sábado, 4 de julho de 2009

Derrubando minha torre: não quero pedras ao meu redor



All Along the Watchtower

(Composição: Bob Dylan / interpretação: Jimi Hendrix)

There must be some kind of way out of here,
said the joker to the thief
theres too much confusion,
I cant get no relief.

Business men they drink my wine,
plow men dig my Earth,
none with a level on their mind,
nobody out of this world.

No reason to get excited,
the thief he kindly spoke,
there are many here among us,
who think that life is but a joke,
but you and I, we've been through that,
and this is not our fate,
so let stop talking falsely now,
the hour is getting late.

All along the watchtower,
princes kept the view,
while all the women came and went,
barefoot servants too.

Outside in the cold distance,
a wild cat did growl,
two riders were approaching,
and the wind began to howl.

All along the tower,
everywhere,

everywhere I went...


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Na imagem: arcano XVI - The Tower, tarot Rider-Waite, ilustrado pela artista Pamela Colman Smith.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Adeus Incerteza


Desisti da incerteza que leva o teu nome.

Desisti de tudo aquilo que me deixou perdido nesta zona cinzenta entre o sonho e o despertar. Nesse lugar em que nada se realiza, mas tudo é possível: e são apenas possibilidades...

Estou tão cansado... Cansado de andar por entre minhas crenças a teu respeito. Cansado de caminhar por entre tuas hesitações espinhosas que me feriram incontáveis vezes... Ah! Como acreditei, nas madrugadas insones, que tu virias quando soubeste que eu te amava...

Andei tanto, por tantos mundos de tantas fantasias... Foram tantas as trilhas, traçadas com lápis de grafite, a espera das cores que nunca vieram - aquarela que nunca pintou um quadro nosso.

A espera pelo teu amor, sem saber se o teria, não trouxe sabor, muito menos cor, à minha vida.

Tudo ficou para um depois muito distante, que pode nunca acontecer, e a dúvida quando se demora num coração torna a esperança insepulta, aumentando, inconseqüente, a sofreguidão...

Impreciso o teu amor por mim, já não preciso mais dele. Hoje, deixo tão somente contigo, em teu nome, toda a incerteza.