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sábado, 10 de outubro de 2009

Teia de Aranha


A trama extensa era urdida em fina e delicada tecitura.

Quase invisíveis - há quem diga intangíveis -, as suas linhas ainda sustentavam incrivelmente um corpo animalesco, antes homem, cuja densidade do espírito parecia desafiar as leis da gravidade moral: onde o todo de um ser que se desarmoniza vem a baixo.

Os milhares de fios ali pendentes diziam algo sobre o largo tempo vivido, na ausência da realidade, por quem os fez, imprudente. Tão enredado estava, o autor desta sinistra obra, no resultado de suas próprias convicções infelizes que, por completo, ela se fazia extensão de seu ser.

Num misto de tormento e prazer, o tecelão imprevidente afirmava que dela não mais conseguia sair. Creditava à malha fria, tão bela e suave, uma resistência maior que a do aço mais temperado, embora lhe tenham revelado, incontáveis vezes, que a mesma poderia ser desfeita com um simples sopro de vontade...


A teia, engendrada pelos desatinos e pelos desejos desenfreados do passar dos anos, permitiu farta nutrição da vaidade e da tolice. A vida em suas fibras manteve famintas todas as ilusões mais insanas.

Movimenta-se agora, a criatura, por entre seus fios, assombrada em seus sonhos pelo vazio da existência que vai deixando dentro de si. Ela espera o momento que a inconseqüência, outra vez desperta, satisfaça seu mais recôndito instinto.

1 vozes:

Renatha Shen disse...

Oi, amigo Servo! Imaginei que recusaria... não combina com vc, nem com seu blogger !!!! Beijão!!!

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