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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Versos Quase Brancos


Não riem mais de mim,
As rimas,
Nestas frases fugazes,
Meio alvas,
Meio pretas,
Que herdei,
Mais da cor da folha,
Menos da cor da tinta,
Escritas em vão,
Vão oco,
Vazio,
Sem ritmos,
Nem melodias,
Versos roucos,
Verbos poucos,
Substantivos entregues,
À míngua de inspiração,
E os adjetivos,
Mal se ergue a imaginação,
Débeis,
Morrem de inanição,
Na escassez destas orações,
Na vizinhança do nada,
Com a palavra escondida,
Covarde invisível,
Que teme existir,
Teimosa por não sair,
Cair nos esboços,
Onde chegam as preposições,
Caladas, caiadas,
Desorientadas,
Perdendo a noção dos nexos,
Misto de razão confusa,
Linhas quebradas,
Derrotadas, impedidas,
Em minha rendição,
Que deserda as estrofes,
Do resto criado,
E relega tudo a como está,
Ao abandono da página,
Quase nua,
Sobre a mesa,
Inconsciente.

2 vozes:

Andressa Pereira disse...

Síndrome da página em branco...quase isso. Sinto toda essa aflição antes de escrever as vezes.
Obrigada pela visita.

Isabela Xavier disse...

Isso me lembra momentos de bloqueio criativo ou, como a colega citou acima, de síndorme da página em branco, que tristeza! Fico frustrada até "voltar ao normal".

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