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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Departure



Incrível a emoção exalada por essa escultura de bronze... 

O jeito como a jovem frágil se aninha sob o braço do rapaz, quase numa postura fetal, deixando transparecer tanta verdade e profundidade em seus sentimentos, tanto envolvimento, tanta confiança... 

Entretanto, ela demonstra também dependência emocional, com seu corpo praticamente todo apoiado no do seu afeto (se ele se afastar, subitamente, irá fazê-la cair). A mãozinha direita da moça, segurando-o pelo casaco, reforça a idéia do apego, o medo da perda. Todo o seu ser aparenta estar com ele e a expectativa de vê-lo partir, atemoriza-a de tal forma, que ela, de pronto, ao fechar-se em si mesma, parece despencar num "inverno emocional", imaginando a falta do amor que o rapaz sempre lhe deu...

Curiosamente, prefiro crer nesta possibilidade:  através de sua amada, pode-se ver que ele é um homem de bem, virtuoso. Caso contrário, não lhe entregaria, destarte, a intensidade do que sente. Ele traz na face um semblante de serenidade, ternura e compaixão, emoldurados por traços muito leves de uma angústia que não quer sentir, ou admitir. Um dos pés recuado para si e apontando para a mulher; o outro, para fora, distante, apontando para o mundo - a dualidade mostra a contradição que palpita em seu coração a cada sístole e diástole. Precisa da jovem, mas precisa fazer o que deve ser feito.  

Seu corpo mostra um certo ar de derrota perante as circunstâncias que o obrigam a sair do lado dela. Desmancham-se os ânimos de prosseguir, insatisfeito sobre deixar para trás aquilo que o apoia. Talvez, reflita o cansaço de muito pensar sobre permanecer ali ou não, numa resistência que já se sabia inócua, a maneira de quem se entrega à própria "massa sentimental", no intuito de tentar aumentar a inércia do tempo, estancando os segundos, eternizando o momento... 

Ambos estão de olhos fechados para tudo o que os cerca, absortos num diálogo silencioso de almas completamente afins. Mergulhados num ambiente somente dos dois e de ninguém mais... Nada de material subsiste entre eles.

Quem sabe, queiram nesses breves instantes antes da partida, fazer a solidão morrer para o mundo, uma ultima vez, para nascerem novamente, um para o outro, do mesmo modo quando renasceram quando se encontraram pela primeira vez...  

Deixo, por fim, uma pergunta para brincar com a imaginação de vocês leitoras e leitores: o que leva dentro da bolsa, o rapaz?


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Na imagem: "Departure", by George Lundeen. Outros ângulos da escultura podem ser vistos aqui.


1 vozes:

Andressa Pereira disse...

Huummm, mais um apaixonado por Sherlock Holmes?
Já passou a ideia de que eles podem ser irmãos?
Creio que se fossem amantes, uma das mãos da moça estaria procurando a mão do rapaz, até porque sendo inesperadamente a partida do rapaz, o união, não só de alma, como também corporal seria pouco mais evidente.
Pelos trajes deles, vem de uma época avançada, não poderia distinguir o ano, mas a boina do rapaz não é lá tão costumeira em nossos tempos e as vestes da garota também não.
Se acaso eles sejam amantes, o que poderia ter ma bolsa seria algumas roupas [claro, considerando aonde está esse monumento], talvez um livro e alguns trocados.
Se caso eles sejam irmãos, creio que os poucos pertences dos dois, já que a postura dela, segundo o que conheço, também carrega a sensação de frio, além de que ele esteja de jaqueta, creio que sejam pobres o suficiente para caber tudo o que tinham em uma bolsa não tão grande, nem tão pequena.

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