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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O Pedagogo

Na sala de aula, em frente ao quadro negro, despertou com um gosto apurado de massapê na língua. Em sua boca, havia sementes que mastigara, escarificando-as, enquanto contemplava o horizonte além da janela.

Lançou os grãos, com paixão desvelada, na vastidão do campo que se estendia a sua frente. Eram verbos que se debulhavam, pouco a pouco, revelando o significado dos arcanos.

Aqui e ali se deparava com gente de alma barrenta, aparentando infertilidade no pensamento, desinteresse no coração. Persistia, porém, estóico, e não fugia ao compromisso assumido. Mãos calejadas na charrua, lavrava o solo da insipiência.

Regava com suor, saliva e lágrimas escondidas aquilo que semeava nos rostos de terra que se fazia árida pela ignorância malcriada.

Ao término da aula, sentia-se alegre e aliviado, quando via germinar, aos montes, as sementes arduamente plantadas. Os brotos verdes-claros surgiam rapidamente. Suas raízes já eram profundas e ganhavam o âmago dos aprendizes, trazendo revolução.


1 vozes:

Gaijin Virtual disse...

"Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa, por isso aprendemos sempre".

(Paulo Freire)

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