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domingo, 1 de março de 2009

Numa Tarde de Verão



Andava sem rumo certo pelas areias claras duma praia, no fim daquela tarde de verão.

Atrás de mim, as pegadas que gravei com meus passos eram tragadas uma a uma, gentilmente, pela travessura das ondas marotas. Cheias de sons e alegria, as vagas davam cambalhotas e deitavam e rolavam nas espumas brancas, deixadas por suas amigas, que se perdiam na rebentação...

Contemplava as cortinas do firmamento quando lentamente foram abertas. Acima da linha do horizonte, mãos dadas com a Estrela Vesper, a Lua Crescente já surgia longínqua, com seu sorriso cintilante. Do outro lado, o Sol, apressado, despedia-se alaranjado de melancolia por entre nuvens róseas retocadas de fulgurantes tons violáceos.

Frente a um coqueiral infinito, fechei os olhos por alguns segundos, apenas para ouvir o farfalhar de sua folhagem a balouçar, incessantemente, no ritmo suave duma aragem que me trazia paz.

Profundamente tocado, fiquei ébrio de amor e, fisgado pelo romantismo da paisagem marítima, inspirei-me.

Então, nas areias dessa praia, com um pequeno talo de madeira, talhei carta de amor que, naquela tarde, o mar imenso levou consigo para nunca mais me devolver, tamanho fora o seu amor por ela...

2 vozes:

Sheila disse...

Eu, que moro há mais ou menos 700 km do litoral e só vejo o mar de anos em anos, fico meio decepcionada com as pessoas que podem "usufruir" do mar e da areia e não o fazem, não percebem quanta riqueza, ou melhor, que riqueza maravilhosa têm ali, tão pertinho!

Obviamente não falo de irem tomar sol, tomar banho, e isso é delicioso. Mas falo de andar, de pensar, de ver as belezas que só o oceano e sua areia macia, fofa, especial pra acolher nossos passos, nos oferecem.

Poucas coisas me dão mais prazer, mais alegria do que fazer isso. Nem que seja por poucos minutos, de calça jeans, em um dia cinzento!

Que bom que você também sabe aproveitar isso :)

Beijocas e boa semana.

Tainá Holanda disse...

Seus textos são delicados. Trazem tintim por tintim das estórias, o que, por conseguinte, nos traz o alimento para a imaginação. Assim ela é solta... Assim saimos um pouquinho, nem que por segundos, da realidade brutal e mergulhamos de cabeça nesse mar de palavras.
Parabéns!
Tenho esse enorme prazer de ler poucos blogs... o seu é um deles!
Beijos!

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