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domingo, 10 de julho de 2011

Brilho Sob a Chuva



Quando a chuva finalmente aparece, e você não foge com a multidão em busca de abrigo, acaba andando sozinho no meio da rua.

É sempre assim. Nesses momentos, uma alegria melancólica aperta o meu peito e permaneço com todas as lágrimas alaranjadas no final da tarde. Nunca é completa uma alegria dividida apenas consigo mesmo.

Depois, as ruas se enchem mais uma vez de gente e a multidão seca me vê como um tolo de roupas encharcadas. Esses de roupa seca fogem de mim como fogem da chuva. Fogem de si mesmos, na verdade.

Com a chuva, a Natureza vai resgatando a minha inocência perdida... Para ela, sou terra molhada, porosa. Cada gota d’água que escorre na pele e se infiltra em meu corpo reflete a luz do Sol.

Nessa tarde, eu tive a chuva, sozinho. Mas não a quero apenas em mim. Há chuva para quem quiser. Basta que fiquemos esperando por ela, a passos lentos, bem no meio da rua.

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Na imagem: óleo sobre tela de Leonid Afremov.


1 vozes:

RSS disse...

adoooooooooooooorei, principalmente: Nunca é completa uma alegria dividida apenas consigo mesmo.

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