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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Resposta a um Amigo


Costumo trocar correspondências via e-mail com um grande amigo, analisando e emitindo opiniões acerca de temas variados. Hoje, respondi mais uma dessas "cartas", na qual ele quis saber as minhas impressões a respeito da seguinte sentença de Eckhart Tolle:

"Nós somos o céu. As nuvens são as coisas que acontecem, tudo o que vem e vai".


* * *

O citado pensamento tolliano me remete à lembrança da porção imutável (centelha divina) em nosssa intimidade.

Durante uma viagem de ônibus, em que meditava sobre esse assunto, clareou-me a cabeça um insight:

A água muda de fase, invadindo os subsolos ou buscando os céus. Preenche formas variadas que vão do relevo terrestre às células eucariotas e procariotas. Suporta paciente a poluição, não grita diante das pressões abissais e nem se assusta nas quedas das cachoeiras. Serve humilde, movendo máquinas e atendendo, incansável, o consumo doméstico das populações. Alberga em seu seio, com generosidade materna, as mais variadas espécies de seres. Pode ser vista como uma singela gota de orvalho ou como um imenso manancial. Ora traz o belo arco-íris, ora o forte estrondo de um trovão... Arrebenta diques com força irresistível, sendo que, na lágrima, escorre no rosto com delicadeza...

A água faz tudo isso sem deixar de ser o que é!

Da mesma forma que esse "líquido sagrado", vejo o céu evocado por Tolle, como sendo a representação do que somos, na essência, mas que ainda não integramos de forma plena ao nosso consciente...

O ceú pode estar límpido ou nublado, mas nunca deixará de ser o que é!

Diante dessa realidade, se nos sintonizarmos com a essência, a Verdade, aquilo que é imutável através dos séculos, sempre teremos condições de superarmos, com serenidade e paciência, as adversidades, por compreendermos o caráter transitório das coisas e situações (nuvens).

Elevando-nos ao "céu interior", dilata-se o discernimento e conseguimos fazer uma distinção mais nítida entre o mutável e o permanente.

Mário Quintana, poeta, tradutor e jornalista brasileiro, de certo modo, já havia se inteirado dessa realidade quando, em célebre texto, intitulado "Poeminha do Contra", disse:


"Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!"

E para onde vai esse "eu-passarinho", ao voar, senão para o céu que traz consigo, em seu mundo interior?!

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Na imagem: belíssima foto realizada por Diego Cavichiolli Carbone

Atribuição 2.0 Genérica (CC BY 2.0)

2 vozes:

Sheila disse...

Acho que nunca tinha ouvido falar de Tolle mas gostei desse pensamento dele e do que você escreveu. E concordo.

"Eles passarão, eu passarinho". Fechar com Quintana foi perfeito. Existe o que passa e o que é imutável, o que somos na verdade.

Beijo, bom feriado.

RSS disse...

Oiii amigooooo, como sempre, lindo texto, conteúdo e forma.

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