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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Reencontro

Novamente, tentei deixar a barba crescida. Ansiava por um reencontro comigo.

Havia perdido a minha identidade para outros que nunca se importaram em saber quem eu era... Borraram meu rosto e, dessa forma, idefinido, fizeram de mim um mero alguém. Um sujeito limitado ao que diziam olhos alheios...

Queria enxergar-me, contudo, nunca fazia isso através dum espelho. Pelo espelho, impossível. O espelho sempre me disse que nunca estarei frente a frente com ele... muito menos comigo...

Por isso, a barba.

Ela, assim, já crescida, espetava-me. Sentia seu toque constante, enquanto os pelos resgatavam um rosto apagado pelo tempo, esquecido por minha pessoa, desvirtuado por muitos.

Se a barba, por um lado, cobria o meu rosto, por outro, trazia de volta um olhar sincero sobre mim. Um olhar trazido pela minha mão que cofiava seus fios como quem procura por algo oculto sob um tênue véu negro... Pude, então, redescobrir marcas, linhas e contornos de uma existência abandonada.

Seguia o caminho apontado, devassando máscaras, porém, antes que me revelasse de todo, o medo, de novo, assaltou minha vontade, furtando-me a iniciativa.

Larguei minha face, como outrora fizera, e corri para o espelho em busca de ajuda. Fui recebido por ele com silenciosa indiferença. Às cegas, saquei a navalha, em agonia. Livrei-me da barba com as mãos tremidas... Cortei o rosto e o sangue vermelho, gotejante, tingiu a pia branca...

Dessa vez, não adiantou. Era tarde demais...

Eu ainda estava ali.


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