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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Tema De Uma Cor Solitária



Dia de chuva. Dia cinzento.

Dia em que o céu fica igual ao pavimento das avenidas; ao cimento dos prédios e dos monumentos; igual às calçadas e seus postes; igual à fumaça dos motores.

Tudo desaparecia pouco a pouco no avançar das horas, numa mistura heterogênea das nuanças de uma única cor.

Não havia mais quem discernisse em que ponto terminava a terra e começava o céu...

Perguntei-me se andávamos de cabeça para baixo pela cidade, com os pés em nuvens de asfalto ou se voávamos simplesmente por um concreto celestial. Ora tudo parecia certo, definido em seus devidos lugares. Ora, num piscar de olhos, tudo conseguia ser idêntico, sem linhas, nem fronteiras.

E o Sol modelava esse dégradé que começava por entre as nuvens e estendia-se até um lugar infinito, desconhecido, aqui, bem dentro de mim...

O mesmo Sol que nos fazia sumir com a fuga de suas luzes no fim do dia.

Um dia cinzento de chuva, no qual tudo cabia e perdia-se numa única cor.

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Na imagem: "Chuva" - photo by Gabriel Fernandes.

Atribuição 2.0 Genérica
(CC BY-SA 2.0)

1 vozes:

Tainá Holanda disse...

por muito tempo, meus dias foram todos assim. agora só são alguns poucos.

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