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sábado, 15 de outubro de 2011

Instante Eterno de Sabedoria

domingo, 9 de outubro de 2011

Meu Elemento, Meu Alimento

A madrugada é meu elemento.
Longe dela,
Longe de mim.

Longe da desertitude,
De minha rua tão solitária,
Iluminada de laranja,
Pelo lampadário discreto,
No silêncio dos postes...

Longe do voo rasante, elegante,
Da coruja cândida,
De asas grandes,
A me fazer sonhar,
Num calafrio,
Chirriando soberana,
Até desaparecer,
Por sobre o casario,
Como um eco,
De última natureza,
Que insiste em viver,
E se desfaz na quietude...

Longe da negrura castigada,
Do firmamento urbano poluído,
Lamentando poucas estrelas...

Longe da minha sentinela,
Que cuida de mim, a Lua,
Seja ela nova,
Ou a mesma antiga e cheia
Das noites claras,
Ou aquela, aqui dentro de meu quarto,
Crescente em meu coração...

Longe da aragem noctívaga,
A passear com brandura entre edifícios,
Pintados pela sombra, de escuridão,
E que por pouco, de tão altos,
Não me tiram os restos deste céu,
Que me envolve de mistérios,
Num arrasto de pensamentos,
Em meus medos e deslumbres infantis...

"A madrugada é meu alimento!
Longe dela, longe de você!"

É o que diz em minh'alma, interrompendo-me a inspiração, neste instante, a solidão.

Ah! Ingrata solidão que me rouba os verbos mudos!

Mas, sem ela, quem fala por mim?

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Gonzaguinha? Eu quero é BIS, SEMPRE!


Esse cara é um gigante da nossa música! Suas canções são magistrais!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Nos últimos 15 dias...

...senti na pele o significado de uma frase que meu pai citava muito pra mim:

"O tempo é um recurso limitado, escasso e não renovável."

sábado, 17 de setembro de 2011

O Dia

Existe um dia em particular no qual trago de volta a vida meu ser: a quinta-feira.

Eu sou expulso do ventre da quinta-feira e morro no dia seguinte, com algo diferente, mais desperto, mais livre, dentro de uma sexta de inconsciências urbanas.

Toda quinta-feira é a mesma. Não há quatro ou cinco, como costumam mentir os meses. Existe apenas uma: a quinta que me pariu - e ela continua a me parir, em única vez, a cada semana.

Refaço-me nessa gestação periódica extenuante de seis dias incompletos, fruto de um caso persistente, não quisto pela sociedade, entre a quinta-feira e o cotidiano com sua rotina ingrata.

E renasço na frente de um mundo que, amedrontado, prefere ficar dentro de sua própria mesmice visceral.

Renasço na hora que o Sol vai cozinhando o céu, deixando o dia virar noite... com sabor de sereno...

sábado, 10 de setembro de 2011

Meu Amigo



Meu Amigo, não sou o que pareço. O que pareço é apenas uma vestimenta cuidadosamente tecida, que me protege de tuas perguntas e te protege da minha negligência.

Meu Amigo, o Eu em mim mora na casa do silêncio, e lá dentro permanecerá para sempre, despercebido, inalcançável.

Não queria que acreditasses no que digo nem confiasses no que faço – pois minhas palavras são teus próprios pensamentos em articulação e meus feitos, tuas próprias esperanças em ação.

Quando dizes: “O vento sopra do leste”, eu digo: “Sim, sopra mesmo do leste”, pois não queria que soubesses que minha mente não mora no vento, mas no mar.

Não podes compreender meus pensamentos, filhos do mar, nem eu gostaria que compreendesses. Gostaria de estar sozinho no mar.

Quando é dia contigo, meu Amigo, é noite comigo. Contudo, mesmo assim falo do meio-dia que dança sobre os montes e da sombra de púrpura que se insinua através do vale: porque não podes ouvir as canções de minhas trevas nem ver minhas asas batendo contra as estrelas – e eu prefiro que não ouças nem vejas.

Gostaria de ficar a sós com a noite. 

Quando ascendes a teu Céu, eu desço ao meu Inferno – mesmo então chamas-me através do abismo intransponível, “Meu Amigo, Meu Companheiro, Meu Camarada”, e eu te respondo: “Meu Amigo, Meu

Companheiro, Meu Camarada” – porque não gostaria que visses meu Inferno. A chama queimaria teus olhos, e a fumaça encheria tuas narinas. E amo demais meu Inferno para querer que o visites. Prefiro ficar sozinho no Inferno. 

Amas a Verdade, e a Beleza, e a Retidão. E eu, por tua causa, digo que é bom e decente amar essas coisas.

Mas, no meu coração rio-me de teu amor. Mas não gostaria que visses meu riso. Gostaria de rir sozinho. 

Meu Amigo, tu és bom e cauteloso e sábio. Tu és perfeito – e eu também, falo contigo sábia e cautelosamente. E, entretanto, sou louco. Porém mascaro minha loucura. Prefiro ser louco sozinho:

Meu Amigo, tu não és meu Amigo, mas como te farei compreender? Meu caminho não é o teu caminho.

Contudo juntos marchamos, de mãos dadas. 


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(Excertos de “O Louco”, por Gibran Khalil Gibran)

O Louco

por Gibran Khalil Gibran


Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

The Animals!



Para mim, é a melhor versão dessa música. Eric Burdon, cantando-a... putz! É de arrepiar!


sábado, 3 de setembro de 2011

Por Onde Ando?


Fui obrigado a ser um "gaijin" em minha própria terra; um "estranho estrangeiro".

(Existe alguém, nesta província, que fale minha língua?)

Eles me fazem estar neste mundo sem pisar nele...

Não me lembro mais da maciez da grama, nem da dureza do chão.

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Na imagem: xilogravura de Katsushika Hokusai, intitulada "A boy in front of Fujiama".

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Parando o Tempo




Eu precisava terminar meu dia ouvindo isso...


(Na música: Clair de Lune, by Claude Debussy)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Instinto Sagrado

Eu, a fome e um naco de pão.

O pão que sustenta cristão.

Mas não sou cristão.

Não "sou" de qualquer religião.

Ser cristão é pouco.

Ser apenas quem sou é muito.

Mas ser um ou outro já é um bom começo.

Bom mesmo é estar entre os dois.

No meio do nada, longe de tudo, trilhando o amarelo.

Como esse simples naco de pão.

Deixando de ser o que é entre meus dentes.

Saciando minha fome.

Sacrifício

No amor,
O que acontece
É uma loucura honesta
- sempre tão honesta -
Que alguém chega a cortar
Na carne da própria alma
Para dar de comer ao outro...

sábado, 13 de agosto de 2011

Alegria Verdadeira

"Buscar a alegria, ignorando sua causa, é compreender erroneamente a verdade. Quando a alegria (ou ganho) se torna um fim em si, procuramos o prazer pelo prazer (ou lucros e bens como finalidades), assim gerando todas as condições que trazem sofrimento na vida. A verdadeira alegria nos relacionamentos íntimos surge da harmonia entre os 'eus essenciais' das pessoas. Uma comunhão de espíritos é o resultado natural da sinceridade, verdade e dedicação desinteressada ao que é bom e grandioso. Quando a alegria experimentada se torna algo que nos empenhamos em manter, passa a ser uma finalidade em si mesma e não a feliz conseqüência de termos seguido o bem. Perseguindo a alegria, experimentamos apenas o descontentamento de lutar por ela; então, a inveja e a poessessividade ganham corpo, obscurecendo o resto."

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(Carol K. Anthony, em O Guia do I Ching - Ed. Nova Fronteira )

Assim é Mais Fácil Ser Feliz

Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião, foi preciso encontrar um substituto. Por conta disso, o grande Mestre convocou todos os discípulos para descobrir quem seria a nova sentinela.
O Mestre, com muita tranqüilidade, falou:

"Assumirá o posto de monge quem conseguir resolver primeiro o problema que eu vou apresentar".

Então, ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo. Disse apenas: 

"Aqui está o problema!"

Todos ficaram olhando a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro! O que representaria? O que fazer? Qual o enigma? Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e... ZAPT!... Destruiu tudo, com um só golpe! Tão logo o discípulo retornou a seu lugar, o Mestre disse:

"Você é o novo guardião".

Não importa que o problema seja lindíssimo. Um problema é um problema, mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja ou tenha sido, se não existir mais sentido para ele em sua vida, deve ser suprimido. Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que hoje somente ocupam espaço - um lugar indispensável para criar a vida.

Os orientais dizem: "Para você beber vinho numa taça cheia de chá, é necessário primeiro derramar o chá para, então, beber o vinho." Ou seja, para aprender o novo, é essencial desaprender o velho. Limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários até chegar às pessoas do passado que não fazem mais sentido estar ocupando espaço em sua mente.

Vai ficar mais fácil ser feliz.
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Nota: o texto não é de minha autoria, tão pouco conheço o(s) autor(es).

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Algumas Razões Para Te Amar

Desde que revelei o que sinto, você nunca jogou comigo, nunca me ridicularizou.

Nunca me fez ciúmes ou mentiu para mim.

Nunca tirou proveito da situação para alimentar seu ego.

Preferiu a sabedoria do silêncio ou desconversou para não me magoar.

Muitas vezes, fui orgulhoso e fiz mau juízo, por pensar que era como as outras, quando na verdade o que havia entre nós era o medo... Sei que você possui experiência para entender que não se brinca com o amor, porque já sofreu por amor.

É verdade... Estamos crescendo, amadurecendo, transformando o amor em algo mais doce, mais nobre, menos infantil, menos egocêntrico.

Você nem imagina, mas me ensinou muitas coisas; apontou-me muitos caminhos; mostrou-me muitos sonhos.

E quando li suas palavras, pela primeira vez, há dois anos, nas linhas que deixava para trás, algo me disse que seria assim.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Meu Desejo


"Quiero hacer contigo lo que la primavera hace con los cerezos."

- Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejeiras. -

(Pablo Neruda)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Brilho Sob a Chuva (2)

Tentando afugentar o tédio que me assola, nesta tarde morna recifense, resolvi catar pela internet algumas cifras para violão. Soltar o verbo na garganta, numa cantoria, é "tudo de bão"...

Mexi num canto, cliquei noutro e esbarrei com uma música de Raul Seixas, muito gostosa de ouvir. O curioso é que ela tem tudo a ver com um texto que postei alguns dias atrás... Fiquei surpreso com a letra, uma boa "coincidência" daquelas...




Chuva Amiga - Raul Seixas

Sei que vai chover,
Mas eu não ligo quando estou com você.
Deixa chover,
Esqueça a capa e o guarda-chuva porque
Nosso amor já é um abrigo, eu sei,
Por que proteção?
Vamos sair e curtir.
Já vai chover.

Vem, deixa chover
Deixa molhar o seu cabelo com o meu.
Quando chover,
Não tenha medo de ir lá fora porque
Hoje as ruas só pertencem a nós e a mais ninguém.
Deixa molhar os seus pés,
Já vai chover.

Os pingos d'água eu vou guardar no meu corpo.
Nós dois andando sob a chuva amiga.
Quantas janelas vão fechar eu não sei
Nem importa...

Vem, já vai chover
Que tal molhar o seu cabelo com o meu?
Quando chover,
Não tenha medo de ir lá fora porque
Hoje as ruas só pertencem a nós e a mais ninguém.
Deixa molhar os seus pés.

Já vai chover.

sábado, 23 de julho de 2011

Amor Sem Grilhões

"Independência interior significa precisamente isso: não depender emocionalmente de ninguém. Tornamo-nos dependentes dos outros ao dizermos a eles: "Escute, eu me dei a você. Portanto, minha felicidade e amor próprio dependem de você e de como você me considerar. Eu pertenço a você." Isto, naturalmente, é o trabalho de nossa auto-imagem/ego, que não pode existir a menos que se veja refletida nos olhos dos outros. Ela (auto-imagem) fará qualquer tipo de barganha, na esperança de ser confirmada. Se permitrmos que tal coisa aconteça conosco, devemos tomar de volta o que quer que tenhamos dado. Não temos o direito de nos dar a alguém e, embora isso possa lisonjear a outra pessoa, ela talvez nos despreze por este motivo, já que não quer tal reponsabilidade. Quando essa outra pessoa ficar cansada da lisonja ou da conveniência de nossa servidão, irá nos abandonar. O único relacionamento correto que podemos ter com mais alguém é aquele em que duas pessoas seguem, independentemente, o caminho da verdade e do bem."

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(Carol K. Anthony, em O Guia do I Ching - Ed. Nova Fronteira )

sábado, 16 de julho de 2011

Chorando


Acordei hoje com alma de vitrola e uma música tocando sem parar na minha cabeça. Ouvi-la em meu sonho, deixou em mim um eco de saudade, uma vontade de abraçar alguém... Desde que saí da cama, fiquei cantando a letra...

Engraçado como essas melodias costumam girar a nossa volta, e entrar e sair dos pensamentos o dia todo.

A canção, por demais conhecida, é um dos momentos mais belos da música popular brasileira. Nela, Pixinguinha e João de Barro conseguiram expressar a paixão de alguém por outrem com uma delicadeza genial, ímpar. A composição exala um romantismo singelo, puro, ao mesmo tempo intenso, cálido, sôfrego.

Numa busca pela internet, encontrei esta versão, na voz de Marisa Monte, acompanhada por Paulinho da Viola:



Recordando o sonho, lembro-me de estar tocando essa música no violão, junto com alguns amigos. Lembro-me também que estávamos aqui, bem em frente ao lugar onde moro, sentados no meio-fio da calçada. Parecia um sarau em plena madrugada. Eu executava um solo em ritmo de choro, feito um virtuose. Como se o sentido de minha vida tivesse esperado por este único instante para se revelar...

Despertei e quis voltar para o sonho e não consegui... Uma pena! Tudo aconteceu muito rápido. Mas o tempo foi suficiente para a música criar suas raízes dentro de mim.

Por enquanto, os meus olhos sorridentes apenas "vão te seguindo" e canto essa melodia na incerteza de não saber por que, nos mistérios do coração, ele "bate feliz quando te vê". Não sei se posso seguir o meu coração, mais uma vez aberto, logo agora que cicatrizava...

domingo, 10 de julho de 2011

Brilho Sob a Chuva



Quando a chuva finalmente aparece, e você não foge com a multidão em busca de abrigo, acaba andando sozinho no meio da rua.

É sempre assim. Nesses momentos, uma alegria melancólica aperta o meu peito e permaneço com todas as lágrimas alaranjadas no final da tarde. Nunca é completa uma alegria dividida apenas consigo mesmo.

Depois, as ruas se enchem mais uma vez de gente e a multidão seca me vê como um tolo de roupas encharcadas. Esses de roupa seca fogem de mim como fogem da chuva. Fogem de si mesmos, na verdade.

Com a chuva, a Natureza vai resgatando a minha inocência perdida... Para ela, sou terra molhada, porosa. Cada gota d’água que escorre na pele e se infiltra em meu corpo reflete a luz do Sol.

Nessa tarde, eu tive a chuva, sozinho. Mas não a quero apenas em mim. Há chuva para quem quiser. Basta que fiquemos esperando por ela, a passos lentos, bem no meio da rua.

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Na imagem: óleo sobre tela de Leonid Afremov.