Dia em que o céu fica igual ao pavimento das avenidas; ao cimento dos prédios e dos monumentos; igual às calçadas e seus postes; igual à fumaça dos motores.
Tudo desaparecia pouco a pouco no avançar das horas, numa mistura heterogênea das nuanças de uma única cor.
Não havia mais quem discernisse em que ponto terminava a terra e começava o céu...
Perguntei-me se andávamos de cabeça para baixo pela cidade, com os pés em nuvens de asfalto ou se voávamos simplesmente por um concreto celestial. Ora tudo parecia certo, definido em seus devidos lugares. Ora, num piscar de olhos, tudo conseguia ser idêntico, sem linhas, nem fronteiras.
E o Sol modelava esse dégradé que começava por entre as nuvens e estendia-se até um lugar infinito, desconhecido, aqui, bem dentro de mim...
O mesmo Sol que nos fazia sumir com a fuga de suas luzes no fim do dia.
Um dia cinzento de chuva, no qual tudo cabia e perdia-se numa única cor.
Dentro dessa gente,
O tolo imprudente
Sorri tristemente,
Por ser indecente
E indiferente,
Levando a semente,
Daquele que mente,
Tão cinicamente,
Dizendo o que sente,
Na língua demente,
Parece inocente,
Dormente, somente,
Lembrando o recente,
Que era decente,
De agir consciente,
Mas em dia contente,
Azul e mui quente,
Acordou diferente,
E feriu mortalmente
O seu ser prudente,
Agora latente,
Em mundo aparente,
No qual sua mente,
Sorri tristemente,
Na culpa que sente,
Por ser indecente...
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Na imagem: "Грустный клоун", Рафаэля Асланяна ("Pallhaço Triste", de Rafael Aslanian) in http://gagios.ru/
Questionado sobre a real importância da simplicidade na vida de alguém, mestre Satoru, aproveitando a refeição matutina, travou com um aprendiz o seguinte diálogo:
__Como está a tigela que utiliza neste momento?
__Cheia de arroz... __ respondeu, o discípulo.
__Descreva-a para mim.
__Ela é feita de madeira, pintada com a cor preta... possui adornos dourados... É tudo que posso dizer no momento, sem derrubar o alimento...
__E esta outra? __ continuou Satoru.
__Vazia.
__Examine-a mais de perto...
O aprendiz tomou fácil em suas mãos a tigela e observou-a, detidamente, por todos os ângulos.
__O que percebe?
__Vejo, agora, com mais clareza, aqueles mesmos ornamentos... mas, observo também, no seu interior, ranhuras, marcas do tempo, pintura gasta, imperfeições decorrentes de uma manufatura apressada e mossas, devido ao manuseio descuidado de alguém...
Satoru sensei, sereno, esboçou um sorriso, quedou em silêncio e comeu os últimos três grãos em sua tigela.
Na imagem: vista parcial da Praia de Boa Viagem, Recife - PE (photo by Natanael Guedes, in www.pe.gov.br). Na música: "La belle du jour" - Alceu Valença
Em setembro de 2008, a jovem ucraniana Kseniya Simonova iniciava-se na belíssima arte das animações em areia.
Em pouco tempo, alcançaria o domínio da técnica.
Com menos de um ano de aprendizado, conquistava o primeiro lugar numa das edições do programa "Ucrânia tem Talento!".
Nessa ocasião, doou parte dos aproximadamente US$ 125.000,00, que recebeu como prêmio, para auxiliar no tratamento de uma criança com nove meses de idade que, há seis meses, estava em coma, devido à meningite.
Ela é considerada uma das mais habilidosas do mundo nessa arte.
O vídeo a seguir, mostra uma incrível performance dessa artista em que retrata a história de um casal e seu filho, na época da chamada "Guerra Patriótica", levada a cabo pelos países soviéticos como resposta à invasão nazista durante a Segunda Grande Guerra. O conflito teria ceifado a vida de 10 milhões de ucranianos (mais ou menos um quarto da população da Ucrânia).
Kseniya Simonova também é fundadora de um movimento social, o "Live, Sun", que, dentre outros objetivos, procura conscientizar as pessoas contra o aborto.
"A maternidade inspirou-me, ainda mais intensamente do que antes, ao trabalho criativo" - disse Kseniya, de 24 anos, em uma entrevista.
O punk rock é como um "som que explode" e que nos arremessa com violência contra o muro da nossa realidade.
Aborda, de forma contundente, sem arrodeios, temas sensíveis à sociedade como política, sexo, drogas e religião.
Provocante, não surgiu para ser bonito ou agradar ou ganhar fama. Veio para incomodar o sono dos que adormecem na corrupção de si mesmos, no momento em que o mundo deles precisa...
É um arauto da temida desilusão; um grito inconformado, árido, mordaz e sincero que estilhaça ideologias e arrebenta grilhões de inércia em nossas mentes acomodadas, apartando-nos da alienação.
Seu ritmo, muitas vezes alucinante, parece querer alertar sobre o domínio soberano da agitada freqüência beta, na qual oscilam nossas ondas cerebrais, cotidianamente, quando o frenesi do ter em detrimento do ser inquieta-nos a alma...
Dá ao ser humano um retrato fiel dos absurdos que comete através do fundamentalismo religioso, dos abusos de poder, dos desvios da ciência, do racismo, dos excessos de toda ordem... Propicia, com isso, a reflexão crítica e radical, e um debate mais consciente dos problemas que assolam a modernidade.
Tocá-lo é cortar na própria carne...
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A banda que mais gosto, dentro desse universo tão polêmico, por vezes controverso, é a Bad Religion.
Cativante é a paixão por meio da qual o criador dela e front man, prof. Greg Graffin expressa suas canções, verdadeiras odes à tomada de consciência bem ao estilo punk!
Adoro o som desses caras!
Uma curiosidade, sobre o vocalista: Greg é formado em Antropologia e Geologia pela Universidade da Califórnia e obteve na Universidade Cornell seu Ph.D, com uma dissertação na área de Zoologia. Também na UCLA, ensina durante o inverno Ciências da Vida 1 e Ciências da Terra e do Espaço (Paleontologia).
Dói muito em mim não poder compartilhar, aqui no blog, tudo o que sinto por você. Permanece, então, o mais belo dos presentes, somente em minhas mãos...
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Na imagem: "Love At The First Sight" by Romero Britto. Na música: "Hey Babe" composed by Nando Reis.
Não me escondo mais. A tolice seria minha, se continuasse refém do medo.
O ser humano tem a facilidade de falar sobre o que traz a dor e fere os ouvidos. Porém, na hora precisa, revelar o amor que se sente por outrem torna-se um suplício... Então, contrario essa regra perversa e, com o coração virado pelo avesso, faço com que conheça o que sinto.
Queria que fosse possível, abraçar-lhe agora, a fim de poder revelar todo o carinho e sinceridade que trago comigo.
Nunca brinquei com os seus sentimentos. No amor, não jogo dados.
Se lhe pareci presunçoso, em algum momento, como alguém se mostrando "difícil", não fora essa a minha intenção. Seria cruel, se agisse dessa maneira. Aquilo que viu, na verdade, era apenas uma faceta de mim, com todas as fraquezas expressas num silêncio covarde.
Entenda que lidar com as incertezas do coração é como estar num veleiro, em alto mar, durante uma noite escura. Não sabemos se voltaremos ao porto, porque, enquanto a brisa não chega, ficamos à deriva, a mercê das idas e vindas das marés e suas correntezas...
Sei bem que a possibilidade da rejeição sempre é um fantasma a assombrar a ousadia de quem se declara. Entretanto, o que é essa possibilidade frente à alegria que sinto ao imaginá-la envolta pelos meus braços?
Revelo meus sentimentos, ainda inseguro, aos seus olhos e corro todos os riscos.
Esmorecia a esperança, aos poucos, sob o temporal que lhe castigava o corpo.
Em frente a casa dela, ele insistiu pela última vez, com a voz embargada por um lamento que há muito não se escondia.
“Abre a porta, por favor...”.
Após a derradeira tentativa, e porque o silêncio insistisse em surgir como resposta, temeu pela não vinda do perdão que tanto ansiava. Absorto na tristeza que invadia o seu peito, nem notou quando o vistoso ramalhete de rosas vermelhas se desprendeu de suas mãos, desmanchando-se no frio mármore da pequena escadaria.
Apático, desceu os degraus e sentou-se cabisbaixo no meio-fio da calçada. Orou em silêncio, amargurado, pedindo àquelas águas que lavassem sua alma arrependida.
Os minutos andaram lentos como um filete d'água a escorrer moroso por uma vidraça...
Mas, finalmente, a porta da casa abriu-se num manso rangido e uma bela jovem saiu, vencendo a própria ausência, numa mistura de lágrimas e chuva...
Ela se aproximou do rapaz, devagar, e sentou-se ao seu lado. Trazia consigo uma rosa vermelha, que lhe entregou, colhida em meio àquelas desprezadas, espalhadas pelo chão... A jovem tocou no rosto dele, com as mãos trêmulas de frio, e fitou-o chorosa. Enlaçou-o, carinhosamente, pela cintura e, repousando a cabeça em seu ombro, disse, finalmente, com voz aveludada, quase sussurrante: